O mundo todo está acostumado a medir a "riqueza" de uma pessoa, empresa ou nação pelos "ativos" que mantém, isto é, pelos bens que possui e pela fortuna que consegue acumular. Mas, o mundo em transformação exige um repensar desse conceito e aponta para uma outra forma de medição. Devemos pensar em riqueza pela capacidade de circular ativos e não mais acumular.
Até aqui, o acúmulo de bens e dinheiro vem seduzindo os humanos. As mídias propagam verdadeiras adorações a homens e mulheres bilionárias, tratados como serem humanos superiores ou no mínimo pessoas importantes na sociedade. "Possuir" o dinheiro, símbolo de poder, associado a ambições diversas pode levar pessoas até mesmo a derrocadas morais em detrimento de conseguir mais e ampliar o que tem. Para construir impérios faz-se outros humanos trabalhar para ele e, no final, parece não ter mesmo o desejo de dividir sua fortuna com ninguém, nem com aqueles que o ajudaram a conseguir o que construiu. A história está repleta de pelejas infindáveis entre empregados e patrões, uns dejesosos de diminuir a distancia entre duas riquezas e outros empenhados em aumentar. Entre as nações isso também é fácil de notar como num mesmo mundo, de seres humanos em sociedade, exista tanta diferença entre os países ricos e os pobres. Temos verdadeiros países miseráveis bem próximos a países verdadeiramente afortunados.
O que exatamente esse conceito de riqueza tem a ver com essas diferenças? o fato é que esse é um modo competitivo de agir, pois as fortunas são comparadas para saber quem é mais rico ou quem está em primeiro no ranking na escala de sucesso. Veja o que propaga a Revista Forbes. Ora, se eu tenho mais e quero me manter assim, é necessário manter os outros com menos. No fim, o processo consiste em tirar dos outros para mim e quanto mais faço isso mais rico fico.
Lembram daquele jogo que nós bricávamos quando criança o Banco Imobiliário? Quem ganhava o jogo? Quem acumulava mais dinheiro, não é verdade? Essa foi a nossa educação financeira e até hoje nós agimos com esse objetivo, de tirar dos outros para ter mais.
Uma vez perguntei a um diretor da Coca-Cola o que seria deles mesmos se os pobres que os sustentam morressem ou não pudessem mais comprar seu produto. Ele ficou calado.
Mas o mundo está exigindo uma nova forma de pensar. Estamos vendo economias poderosas se inclinarem a novas economias emergentes. Modelos economicos tradicionais se reformulando e se adaptando aos mercados. Países ricos com terríveis problemas de desemprego e recessões sem saber direito o que fazer pois não possuem know how para isso. Países "bancando" dívidas dos seus vizinhos com medo de serem atingidos pela falência em efeito dominó. Como resultante de uma economia globalizada, todo mundo sabe que sua saúde financeira depende direta ou indiretamente da saúde dos seus semelhantes, então tem que cuidar deles também.
Muitas empresas já enxergaram um novo modo de fazer negócios. Aqui no Brasil tenho que destacar a Avon, Natura e mais recentemente a Jequiti. De outros lugares temos a Herbalife, por exemplo, que permite a participação de qualquer pessoa na sua metodologia de vendas. Estes métodos estão baseados na relação livre entre empresa e vendedor-consumidor, numa relação ganha-ganha sem que haja realmente limites para os benefícios, isto é, os ganhos são o tanto que a pessoa consegue vender, divulgar e gerar renda. Na verdade, a geração de riqueza é proporcional ao esforço empenhado e ao nível de ambição do sujeito.
Destaco aqui também o incrível trabalho de Muhammad Yunus (ver foto abaixo), laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 2006. Esse economista indiano de mais de 70 anos acredita que é impossível ter paz com pobreza e criou um banco de microcrédito que empresta dinheiro aos pobres para que eles mesmos possam gerar seus sustentos, sem garantias de lei, apenas baseado na confiança e cobrando taxas justas. Por incrível que pareça, mais de 98% dos que tomam dinheiro emprestado pagam suas dívidas e tomam mais dinheiro ainda para continuarem crescendo.
Estes e outros exemplos são prova que novos paradigmas podem ser implantados para proporcionar melhor distribuição de trabalho e renda. É a economia social, também promovida por inúmeras empresas do terceiro setor.
Este novo paradigma economico passa pelo fato de que parte da riqueza gerada por terceiros volta para seu bolso e o sistema é retroalimentado toda vez que você insere um novo participante. A riqueza é então dividida mas nunca acaba pois a fonte é infinita. A circulação faz o dinheiro ser infinito, pois toda vez que um dinheiro é gasto, algo é comprado e vendido e quanto mais se fizer isso, melhor.
Explicarei isso melhor na próxima postagem.




