terça-feira, 23 de agosto de 2011

O MEDO DA POBREZA

          Adquirir produtos mais baratos em detrimento da qualidade, ficar regulando custos demasiadamente, guardar e reaproveitar objetos quebrados, manter roupas velhas no guarda-roupa que não se pode usar mais pode parecer normal para muita gente. Mas, essas atitudes podem beirar a mesquinhez e ser um sintoma agudo do medo da pobreza.
           Outro dia vi na televisão um sujeito que mantinha uma garagem enorme cheia de tralhas velhas que não mais funcionavam.  Ele era tão ligado nessa questão que saía atrás de objetos nos lixos da vizinhança e os amontoava no seu espaço, que já estava entupido, tanto que o repórter se perdeu lá dentro até encontrá-lo. Em menor proporção, isso nos lembra aquele quartinho dos fundos cheio de caixas e dentro das caixas mil objetos perdidos no tempo. As casas antigas tinham muito espaço e um quartinho desses era bem comum. Hoje em dia os apartamentos são bem menores e nem quartinho extra tem. Mas, já ouvi de um amigo relatar o incômodo que ele sentia por não dispor desse espaço onde mora.
          A idéia predominante nas cabeças que pensam assim está relacionada à necessidade que a pessoa tem de guardar os objetos na esperança de um dia poder usá-lo novamente, talvez consertando ou utilizando-o de outra forma. Outro dia perguntei a um “guardador” por que ele fazia isso. A resposta que obtive, embora não ter sido direta, deu para ver um padrão de pensamento instalado em que o sujeito considera o valor investido no passado para adquirir tal objeto, onerando suas despesas, chegando até a uma espécie de “sacrifício” que ele teve que fazer. Conclui-se então que o que o sujeito faz é uma tentativa de maximizar o valor investido um dia, ou seja, perpetuar seu investimento. Além disso, há claramente um sentimento de posse e apego envolvido e difícil de dissolver.
         Esse padrão de pensamento é inconsciente, a maioria das vezes, e também é conhecido como medo da pobreza. No futuro, posso perder o emprego, não ter mais dinheiro, não ter como comprar novos objetos necessários e então... eu guardo. Nota-se um elo entre o passado e o futuro em que o sujeito tem medo de perder o status quo e guarda “tesouros” para depois. Na verdade esse sujeito guarda uma tremenda energia estática, pois impede o processo de renovação da vida, aonde se vão coisas e chegam outras para suprir novas necessidades emergentes.
          Se você tem essas características, ou quer fazer um experimento simples, faça assim: Separe um tempinho no próximo fim-de-semana para dar uma olhada nas suas roupas. Tire tudo que está guardado e coloque na sua cama. Separe por tipos de peça. E comece a guardar tudo de novo, só que agora, peça por peça, faça as seguintes perguntas para você mesmo: essa roupa ainda dá pra mim? Há quanto tempo que não a uso? Se as respostas forem NÃO e MAIS DE 1 ANO respectivamente, não devolva a peça para o guarda-roupas. Separe-as e faça uma doação. Ela pode não lhe servir mais, mas pode servir para outra pessoa. Assim, será uma energia nova para esse irmão e o fluxo da renovação continuará. Deixe no seu espaço somente as roupas que você realmente usa. Você vai se surpreender com o espaço que vai sobrar. E quer saber mais, novas roupas vão surgir para você, para preencher o espaço criado. Novas coisas não chegarão se você estiver cheio de coisas velhas.
           Se você não pode fazer isso, não consegue se desapegar, você tem um pensamento limitante, aquele que cria uma limitação e não deixa você evoluir. E se não cuidar pode carregar isso pro resto de sua vida. Preenchido com o passado, com medo do futuro e deixando de viver o presente.
           Não sejais como o cão imprudente acompanhante de uma caravana no deserto, que tenta guardar seu osso para o futuro enterrando-o na areia. Kahlil Gibran, poeta árabe.

5 comentários:

  1. Pô Zé que massa. Tenho observado isso com muita gente, principalmente meu pai. Só não sabia o que era. Será esse o motivo de que na vida dele sempre foi tudo amarrado? Arnaldo.

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  2. É isso. Tudo na vida deve fluir e para fluir deve estar saindo velhos e entrando novos pensamentos e atitudes. Se retemos tudo pára. Veja outro exemplo. Vc compra um livro e deixa ele lá na estante sem ler. Há muitas energias nesse livro. Do aoutor, da editora, do pessoal que imprimiu, editou, transportou, do que lhe vendeu. Se vc for mais a fundo de quem fabricou o papel, de quem plantou a árvore para virar paepel depois etc. Tudo isso para te passar uma informação. Qdo vc não o lê... tudo pára. A energia de todo mundo fica estática. Ou seja, para o livro cumprir sua missão ele deve ser lido e quanto mais lido for por vc e outros melhor. Seu pai acumula muita energia e as coisas não fluem na vida dele. Zé Maria

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  3. Achei bastante interessante o tema. Tem coisas simples na vida que não paramos pra refletir o nosso comportamento com relação a elas. Esse exemplo do guarda-roupa é uma. Acho que nós por muitas vezes temos medo e nem nos damos conta, medo de desafiar, de investir, medo de mudar. É interessante quando discutimos estes comportamentos, as suas possíveis causas, porque nos encoraja a tomar novas atitudes...

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  4. É sim, o medo é paralisante. Vc já deve ter visto algo assim: fulano teve tanto medo que ficou parado, sem saber o que fazer. O medo é importante pporque ele nos livra de armadilhas, mas o excesso nos deixa estático e vunerável. Mas, tomando o exemplo do guarda-roupas, alguém que não ganhou a roupa porque vc a reteve, é um irmão que não conheceu a caridade. Abraços. Zé Maria

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  5. Primo,é isso mesmo....tenho feito essas experiência,como sempre retirar peças não utilizáveis do guarda roupas e doar...incrível como rapidamente ganhamos roupas novas ou compramos...Ou seja..as coisas só andam quando as movimentamos...é um ciclo

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