Comprar, comprar, comprar! O mundo está preparando você para conjugar esse verbo no presente e no futuro. As diversas mídias induzem a você investir nas atuais e emergentes necessidades, muitas vezes criadas. Mas o que faz você aceitar essas sugestões e realmente comprar? No fim, essas e outras respostas estão em você mesmo.
Você liga a TV e os programas estão mostrando as novas tendências da moda, os novos conceitos de automóveis, os novos eletrônicos cheios de novas tecnologias. Você liga o rádio no seu carro e escuta, entre uma música e outra, outra série de apelos para comprar alguma coisa, ou melhor, muitas coisas. Você anda na rua e vê um sem-número de outdors, cartazes, faixas, bandeiras, tudo isso a serviço do consumo. E você termina comprando mesmo aquele telefone celular que acessa internet, tem wi-fi, Bluetooth, TV, rádio FM, tira fotos, grava, tem uma central de jogos e pinta a peste mais. O fato foi que naquele dia na reunião com o pessoal da empresa, todo mundo colocou os respectivos celulares na mesa, todos eles turbinados e você puxou aquele seu fininho, já com as teclas sem número, todo arranhado e você pensou: tenho que comprar um aparelho novo. Parece mesmo que o mundo precisa circular a riqueza. Tem alguma coisa de mal nisso?
Bem, eu não acho que tem mal algum nisso propriamente. Pratica-se o que realmente dá certo. O segredo de manter as coisas funcionando e se renovando é fazer o dinheiro circular. Mas, deve-se fazer tudo na medida certa. Se desequilibrar não é fácil reestabelecer a ordem. Daí então se tem que estabelecer um limite, ou seja, não se pode gastar mais do que se recebe.
O fato de você se perder gastando demais, tem haver com não conseguir se contêr e gastar em qualquer coisa, até mesmo desnecessárias. O vazio interno provocado por uma falta ou carência afetiva, deve ser preenchido de alguma maneira. Há quem faça comendo tudo que vê pela frente, mas pode ser bebida, drogas, sexo e outras coisas mais. Assim também é com o gastar compulsivamente que de forma associada pode envolver dois ou mais aspectos desses. Muitas pessoas desejam coisas, na tentativa de saciedade emocional, mas quando adquirem, perdem o gosto e larga lá aquela coisa que já foi objeto dos seus desejos. Isso é patológico.
Se você age assim tome cuidado. Procure ajuda. E olhe só, não vai ser algum técnico do fantástico que vai fazer um bocado de continhas. Esse é necessário sim, mas logo de imediato as causas dos problemas devem ser investigadas com alguém que entenda dos fatores emocionais.

Além dos várias propagandas para se consumir, há um outro aspecto: muitas pessoas gastam além do que deveriam gastar só para demonstrarem que têm um certo poder aquisitivo, e criam a falsa ilusão de que isso lhes traz reconhecimento.
ResponderExcluirPara esses indivíduos, o mundo gira em torno de posses e de vantagens, e alguns valores importantes são desprezados. Sentam numa mesa e o papo é um só: troquei meu carro, comprei um apt., fui à Europa, fiz isso, aquilo, etc.
Caro Rickley. Sua percepção está correta. A base disso é o desejo de PODER, que está associado às POSSES. Sabe aquela história, você possue dinheiro ou o dinheiro te possue? A maioria de nós não tem o domínio da própria vida, é carente, e preenche (ou tenta) sua falta interna de valores bem mais duradouros, por objetos que outros vejam. Não basta ter um carro do ano e caro, é necessário que os outros vejam e falem sobre isso. Isso é afirmação. Mas veja: isso é culpa do dinheiro ou do que fazemos com ele? Abraços, Zé Maria
ResponderExcluirGostei do texto. O ser humano, por se constituir um ser dinâmico, vive em contantes mudanças e muitas vezes numa persistente insatisfação, somado a isso temos um mercado que cria necessidades a todo momento a este ser, e tenta convence-lo sobre estas nos mais diversos meios de comunicação. Já se foi a època onde nos apegavamos a um bem, tipo um carro, celular, uma roupa. Estamos inseridos no mundo dos descartáveis. Isso é explicado até pela duração dos bens atualmente. É necessário de fato um auto-controle e uma auto-análise. É um tanto difícil, mas a gente consegue, eu acho. kkkkkk
ResponderExcluirCris. Assim como é fora é dentro. Isso quer dizer que internamente estamos insatisfeitos. Isso é bom pelo lado de que nos impulsiona para melhorar, ir pra frente e ter ambição. Mas, se o ser humano só olhar pra fora, pode se perder numa selva cheia de armadilhas. Legal esse toque das pessoas não terem apego a objetos descartáveis como são todos hoje. Porém, o ser humano pode estar transportando esse comportamento para as relações. Hoje, se diz "eu te amo" tão fácil quanto se diz "eu não te amo mais". Parece ser o amor muito "raso" e assim o sujeito deixa de experienciar a profundidade da beleza da vida. Zé Maria
ResponderExcluirÉ!!! Vejo que nada está errado, desde que tudo esteja certo...
ResponderExcluirEita Cris! Lá vai eu, não é mesmo?
Como Zé colocou, concordo que não há problema algum em querermos trocar o carro por um melhor e mais novo, o apartamento por um mais confortável e bem localizado, comprarmos uma calça da moda, e aí vai...
Pra mim, o problema existirá quando este desejo é superficial, quando ele é criado em função dos outros e não pra garantir uma real necessidade "nossa", ou pior ainda, quando não nos organizamos financeiramente pra adquirirmos estes bens.
Agora, também concordo que o maior problema consiste na falta de auto-conhecimento, maturidade e definição de personalidade. E se isto não for sanado em quanto é tempo, teremos problemas pro resto da vida, mesmo que isto não seja tão aparente aos outros.
É sabido que as nossas necessidades (reais e-ou fictícias) demonstram o que realmente somos. E agora? Quem realmente sou? Será que sou o que realmente queria ser? Onde quero chegar?
Bjs a todos
Isabel Silveira